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Laringite

Geralmente não falo desse tipo de doença em plena primavera, mas como o tempo anda doido, os vírus respiratórios estão na mesma onda, então, dividindo o pódio com a enterovirose, no ranking das doenças mais frequentes nos pronto-socorros, vem a laringite viral, tirando o sono dos pais.

Geralmente a laringite viral vem no período do outono-inverno, causada frequentemente pelo vírus parainfluenza (mas também pode ser causada pelo vírus sincicial respiratório – o mesmo da bronquiolite – , pelo metapneumovirus humano, adenovírus, influenza e pelo Micoplasma pneumoniae).

Os primeiros sintomas são aqueles de uma infecção viral – bem inespecíficos – coriza, tosse, febre baixa ou mesmo pode não haver febre. Em seguida, começa a tosse ladrante (popularmente conhecida como “tosse de cachorro”), evoluindo para o estridor (ruído inspiratório agudo) quando agitado ou mesmo em repouso. Em casos mais graves, pode vir com cansaço para respirar. Para o diagnóstico, não é necessária a realização de exames de imagem.

O tratamento depende dos sintomas; crianças com um quadro leve, sem cansaço, devem receber bastante líquido, nebulização com soro fisiológico aquecido e REPOUSO. Quando há cansaço, caracterizando insuficiência respiratória, deve ser realizada nebulização com adrenalina, além de oxigênio para crianças que estiverem com queda na saturação. Dose única de dexametasona intramuscular melhora os sintomas e reduz a necessidade de internação, podendo ser substituída pela dexametasona via oral em alguns casos (mas isso somente o pediatra poderá avaliar).

Em casos mais graves, pode ser necessária a intubação e a transferência para UTI, mas a maioria das crianças melhora em alguns dias, sem maiores problemas.

É sempre bom lembrar que, como são vários vírus que podem causar a laringite, ela não é uma doença que causa imunidade permanente, como a varicela. Ou seja, você pode ter laringite mais de uma vez em sua vida.

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Falando sobre amamentação

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No último dia 16, tive a oportunidade de participar de um bate-papo sobre amamentação no Expo Mamãe, que aconteceu do dia 14 ao dia 17 de outubro no Expo D. Pedro, em Campinas.

Foi muito divertido e prazeiroso poder falar de um assunto que adoro junto com pessoas conhecidas e que falam a mesma linguagem. Estiveram presentes a enfermeira obstetra e consultora de amamentação Luciane Fernandes, Juliana Franco (Mãe da Joana e colunista do Campinas com Crianças) e Thalita Bernardes (Mamãe Felícia).

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No início, parte da conversa foi focada em mim e na Luciane, para os aspectos clínicos da amamentação e os benefícios do leite materno, assim como da livre demanda. Mas achei muito interessante como a conversa logo tomou o rumo do papel da mulher nisso tudo – em como a amamentação (assim como a maternidade) tem sido glamourizada nos últimos anos, de modo com que muitas mulheres se sintam obrigadas a amamentar seus filhos e até mesmo se considerem fracassadas por, seja lá qual motivo, não conseguirem amamentar.

Outro ponto fundamental foi a necessidade de informação sobre amamentação e como ela deve vir cedo, de preferência, antes do bebê nascer. Informação sobre aleitamento materno todos têm, mas pouco se fala sobre a amamentação em si. E quando a família deseja obter essa informação, não são todos que conseguem contatar os serviços de uma consultoria de amamentação.

Além do talk sobre amamentação, a Expo Mamãe também abordou outros assuntos distribuídos em diversos talks que aconteceram durante os dias do evento, como Parto, Empoderamento da Mulher, Empreendedorismo… pena que não deu para estar lá todos os dias. E espero que ano que vem tenha mais. 😀

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Infecção urinária

Já ouviram falar no “revezamento de filho no pronto-socorro”? Quem tem mais de um filho já deve ter passado por essa situação.

E aqui, mesmo sendo filhas de mamãe pediatra, em várias ocasiões precisamos recorrer aos serviços de um pronto atendimento. No início do mês tivemos a apendicite da Fofa, que também gerou uma boa dose de ciúmes na Fofinha, incluindo a realização de um exame de urina I e uma cultura de urina assim que a irmã mais velha chegou em casa , porque a pequena reclamou de dor para fazer xixi (que passou assim que deixei a amostra no laboratório e lógico que veio normal).

Só que, pensando retrospectivamente, a Fofinha teve uma infecção urinária em outubro de 2016, motivo pelo qual realizamos controle por culturas seriadas, que sempre vieram negativas…

… até agora.

Exatas 3 semanas após a última cultura negativa, a Fofinha passou a reclamar de:

  • Dor para urinar (polaciúria)
  • Vontade de ir ao banheiro várias vezes (urgência miccional)
  • Dificuldade para urinar (disúria)
  • Perda de xixi na calcinha (incontinência urinária) – usamos, em 2 dias, TODO O ESTOQUE DA GAVETA DE CALCINHAS da menina. Quem já passou por um desfralde sabe que toda mãe e pai guarda uma boa quantidade de roupas de baixo dentro da gaveta.
  • E o xixi ficou bem, mas bem turvo.

Que são os sintomas mais presentes em pré-escolares e escolares.

A esses sintomas, em lactentes, somamos a FEBRE (que pode ser o único sintoma), ganho de peso e estatura insatisfatório, dor abdominal e vômitos.

Então lá foi a mãe e a Fofinha para o PS perto de casa. Chegando lá, a pediatra de plantão já pediu os exames de urina e fomos coletar. Claro que ela tinha urinado um pouco antes de entrarmos, então conseguimos coletar só uma amostrinha de 2ml, mas que já foi suficiente para mandar para o laboratório e esperar 2 horas pelo resultado.

Nessas duas horas, fomos 10 vezes ao banheiro, sendo duas delas para vomitar.

O diagnóstico é direcionado pelo exame clínico e pela história, mas a confirmação vem pela cultura de urina. Porém, como demora pelo menos 48 horas para sair o resultado, realizamos uma triagem com o exame do sedimento urinário, cuja amostra deve ser colhida em boas condições de limpeza. Em crianças desfraldadas, preferimos a coleta do jato médio, desprezando o primeiro jato de urina no vaso. Em crianças que usam fralda, podemos colher por saco coletor (com uma BOA higiene e trocas do saco a cada 30 minutos caso não haja xixi lá dentro) ou por cateterismo vesical. Também podemos colher a urina através da punção suprapúbica, mas é cada vez mais raro.

Como o resultado do sedimento urinário veio limítrofe (como sempre, na minha família…), mas os sintomas eram muito intensos, optamos por iniciar o tratamento com antibiótico e aguardar o resultado da cultura para ver se 1) tinha bactéria e 2) se a bactéria era sensível ao antibiótico escolhido, a cefalexina.

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48 horas depois, veio esse bichinho simpático aí. Com os critérios de aceitabilidade preenchidos (bacteriúria significativa: acima de 100.000 unidades formadoras de colônia/ml).

Com isso, mantivemos o antibiótico por 10 dias e faremos nova cultura 48 horas após o término do tratamento.

Agora não tem como fugir e vamos fazer a investigação morfofuncional do trato urinário. Ele está indicado para todas as crianças com episódios de infecção urinária, mas principalmente para as menores de 2 anos, de ambos os sexos, pela frequente associação de infecções urinárias e anomalias do trato urinário. Já temos um ultra-som normal e o próximo exame será a uretrocistografia miccional retrógrada, que é um RX contrastado da bexiga, para ver se há refluxo da urina em direção aos rins. Caso venha alterado, faremos o seguimento com o nefrologista pediátrico.

7anos, pediatra

Apendicite

Como tudo neste blog, este post também foi inspirado pelos últimos acontecimentos aqui de casa.

Hoje estamos no  2o dia pós-operatório de apendicectomia na Fofa. Já estamos em casa, bem, a manha imperando já comendo melhor e tentando dar os primeiros passos sem ajuda. Mas ainda muitas pessoas ficam espantadas quando falo que a minha filha de 7 anos teve apendicite, pois a maioria acha que isso não é uma doença de crianças.

Para a surpresa geral, sim, apendicite é uma doença de crianças. A faixa etária de maior prevalência é da idade escolar (a partir dos 7 anos) até o adulto jovem, com maior incidência em meninos (mas pode dar em meninas também). Começa com aqueles famosos sintomas inespecíficos que têm cara de VIROSE, o que confunde muito:

  1. Dor abdominal – começa no umbigo (aí você pede pra mostrar com a mão onde dói e a criança massageia o umbigo e mostra a barriga inteira em movimentos circulares) e vai lentamente se localizando para o lado DIREITO, em região de fossa ilíaca direita.
  2. Febre
  3. Vômitos
  4. Falta de apetite.
  5. Alterações do hábito intestinal – pode dar uma diarréia ou prender o intestino.
  6. Dor para caminhar – pode mancar da perna direita, por irritação do músculo psoas, que passa bem embaixo do apêndice.

Fácil, né?

E o que é o apêndice?

O apêndice é um órgão vermiforme localizado no intestino grosso, cuja função é a produção de anticorpos por ter grande quantidade de tecido linfóide. A apendicite ocorre quando há inflamação do apêndice, geralmente por obstrução, e posterior infecção.

O tratamento quase sempre é cirúrgico (“quase” porque há alguns estudos sobre o tratamento conservador de apendicite grau I, mas… hm… eu prefiro o tratamento cirúrgico), com a retirada do apêndice, que pode ser feita por videolaparoscopia, quando são feitos 2 ou 3 furinhos para a entrada da câmera e das pinças para o procedimento, ou por via aberta, por um corte na região inferior direita da barriga.

A apendicite é classificada em graus, de acordo com sua evolução e gravidade:

Grau I: inflamação do apêndice, sem pus ou perfuração. Geralmente sem líquido livre em cavidade.
Grau II: inflamação com presença de exsudato fibrinoso (“pus”).
Grau III: infecção com necrose e abscesso (pus de verdade).
Grau IV: grau III + perfuração.

Em casa, começamos com uma dor abdominal difusa (sim, apontava o umbigo…), que doía muito quando eu apertava a barriga, mas que piorava com a descompressão brusca (ou Sinal de Blumberg), que é quando a gente aperta a barriga e tira a mão bruscamente. Isso é indicativo de irritação peritonial, que, quando localizado na região de fossa ilíaca direita, é um dos sinais de apendicite. Conforme as horas foram passando (porque isso aconteceu às 2h da manhã, ela não teve febre e não estava vomitando – então eu dei um analgésico e decidi esperar amanhecer. Claro que, se a dor não melhorasse nem um pouquinho com o analgésico, eu tinha corrido pro PS de madrugada mesmo), ela foi tendo dor até mesmo com tosse ou dando risada, o que já indicava uma piora gradual.

No PS, fomos fazer um ultra-som abdominal, que é o exame de escolha para esses casos. Claro que nada pode ser fácil, porque o apêndice estava escondido. Ao invés de seguir para a fossa ilíaca direita, o apêndice da minha filha subia para a goteira parieto-cólica (ou seja, pro flanco direito), ficando escondidinho e bem difícil de ser visto. Mas o radiologista era bom e… o exame deu inconclusivo. Limite superior da normalidade, 7mm, não-compressível, mas não dava pra jurar que era uma apendicite, ainda mais que a minha Fofa não tinha febre, nem vômitos.

Então fomos pra casa. Colhemos exames e veríamos o resultado pelo computador. Novamente, só fizemos isso porque sou pediatra e porque a Fofa estava BEM, embora com dor na barriga.

As horas se passaram, a dor foi aumentando… foi localizando à direita… o apetite foi minguando…

… então, na manhã seguinte, voltamos pro PS. Nem precisou repetir o ultra-som, já foi direto pra internação e logo fez a cirurgia. Como era grau I, foi feita por videolaparoscopia e, uma hora depois, já estava no quarto. Já jantou no mesmo dia e, no dia seguinte, viemos pra casa.

O pós-operatório é tranquilo: ficará em casa por 1 semana, em repouso relativo (pode andar um pouco, ir pro banheiro, brincar de massinha, de boneca). Semana que vem retornará pra escola, mas sem atividade física por 30 dias.

E chega de sustos este ano porque a galera aqui de casa não aguenta mais. 😀

 

3anos, 7anos, viajando

Viajando com alérgico – Canadá

Este ano podemos dizer que estamos com rodinhas (ou asinhas) nos pés. Acho que nunca viajamos tanto assim com as crianças, até porque, enquanto a Fofa era pequena, faltava coragem (e grana… aliás, essa continua faltando, mas o trabalho do papai ajuda nas viagens) para sair de casa. Engraçado que, se formos comparar, a Fofinha é bem pior para se lidar do que a Fofa jamais foi.

A viagem de trabalho do papai, desta vez, nos levou para o Canadá, mais precisamente, para Cochrane, AB, perto de Calgary, terra dos caubóis canadenses. Viajamos bem na época do Calgary Stampede, que é uma festa típica, com rodeios, comidas, mosquitos e afins.

Como sempre, a viagem começa nos preparativos. Passaportes todos válidos, vistos americanos válidos (pois fizemos conexão nos EUA) e vistos canadenses válidos. Lembrando que começamos os preparativos antes da mudança da lei, que hoje permite que o brasileiro portador de visto americano válido possa entrar no Canadá somente com o ETA (eletronic travel authorization) – que é mais barato e dá pra fazer online.

Não temos mais chiadores crônicos nessa família feliz, mas como o seguro morreu de velho, nossa caixinha de remédios incluía a já conhecida “bombinha” de salbutamol (e receitas atualizadas em inglês e carta para uso da medicação também em inglês, como fiz na viagem para a Grécia), além do corticóide nasal, corticóide oral, soro fisiológico…

… aliás, sabiam que nos EUA e no Canadá não vendem soro fisiológico de garrafinha, como no Brasil? Eu descobri isso quando comprei o Sinugator em janeiro, nos EUA. Ele vem junto com 30 saquinhos de um pó (cloreto de sódio + bicarbonato de sódio) que você coloca em 240ml de água fervida ou filtrada e usa para lavar o nariz. Na América do Norte, você só encontra soro fisiológico em embalagens próprias para a limpeza ocular ou nasal como sprays.

Então levei soro em ampolas de 10ml para poder levar na mala de mão – precisei lavar o nariz da Fofinha minutos antes do embarque, para que ela não chorasse de dor de ouvido na decolagem.

Não precisamos mais de alimentação especial no avião, mas caso fosse necessário, a United orienta a solicitação 24 horas antes do vôo ou no momento da compra. Pessoas APLV teriam que solicitar a refeição vegana, pois não há opção sem leite e derivados especificamente (há para intolerantes ao glúten). Vi várias pessoas recebendo refeições especiais, sem erro pelos comissários de bordo.

Fizemos nossa primeira parada em Houston, TX, onde não tivemos que pegar nossas malas pra passar na imigração \o/ porque a United tem um acordo com o aeroporto de Houston para que as malas reembarquem direto pro destino final. Nas lojas e praça de alimentação locais, nada de extraordinário, como sempre, tinha uma Starbucks…

No vôo de Houston até Calgary, havia opção de menu especial, mas tudo pago a parte (sabe aquela história da Gol e da LATAM cobrarem as refeições? Pois é, aqui isso é uma realidade), somente as bebidas eram cortesia. Se não me engano, poucas opções (para não dizer nenhuma, tinha uma pipoca com sal marinho) para pessoas com alergias alimentares.

E ainda bem que levamos a bombinha na viagem… porque a primeira coisa que a Fofa fez assim que chegou foi tossir loucamente e ficar cansada.

7anos, pediatra, trocando experiências

Uns bichinhos passeando pela cabeça…

Junho chegou, com ele, veio o frio (até gosto, mas não gosto dos vírus que vêm com ele), as Festas Juninas (adoro. Saio deste mês rolando) e uns bichinhos muito dos safados que começam a caminhar pelas cabeças das crianças. Lembro até que, quando estava na escola, vinha na agenda a circular da Festa Junina e, logo depois, o aviso da temporada dos piolhos.

Ao contrário do que muita gente imagina, piolho (Pediculus capitis) não é coisa só de criança que não toma banho. Ele não faz distinção entre nível social, cheiro de shampoo ou sexo. Ele também NÃO VOA, sendo transmitido através de bonés, chapéus, pentes, tiaras, faixinhas de cabelo, ou seja, por contato direto. Por isso as meninas de cabelos compridos parecem ser as vítimas favoritas desses bichinhos.

O principal sintoma é a COCEIRA, causada pela picada do piolho, seguida de uma irritação da pele, geralmente na nuca e atrás das orelhas. E isso incomoda MUITO. Mas muito muito muito mesmo. É aquela coceira beirando o insuportável. Aí, quando a criancinha chega perto, você enxerga aquele MONTE de lêndeas penduradas nos fios de cabelo e, dependendo da infestação e com alguma sorte, um “boizinho” andando. >.<

piolho
Lêndeas
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Piolho

O tratamento é feito em duas etapas: matar o piolho e tirar as lêndeas. Para matar o piolho, podemos usar shampoos e loções próprios para isso e alguns métodos caseiros:

  • Permetrina loção 1%
  • Deltametrina shampoo ou loção 0,2mg/ml
  • Benzoato de benzila loção 0,2mg/ml ou sabonete 100mg/g

Em todos os casos, deve-se passar a loção ou shampoo ou sabonete nos cabelos e deixar de 10 a 20 minutos para depois lavar. Pode passar um pouco de condicionador para facilitar o uso do pente-fino, que pode ser de plástico ou de metal. Depois de alguns longos minutos (que podem parecer ou se tornar horas), enxague novamente os cabelos e seque.

Uma das medidas caseiras mais populares é o uso de água misturada com vinagre branco na proporção 1:1 (1 copo de água morna para 1 copo de vinagre), que teoricamente mataria as lêndeas. Digo teoricamente porque eita troço chato de se matar…

De 7 a 10 dias depois do primeiro tratamento, pelamordedeus REPITA TODO O PROCESSO, pois esse é o tempo que a lêndea leva para terminar seu processo de desenvolvimento e aparecerem novos piolhos.

Em caso de pânico, alguém vai falar do tal do “comprimidinho mágico contra piolhos”, a ivermectina. Ela realmente é boa, mas deve sempre ser prescrito por um médico, pois a dose tem que ser calculada pelo peso da criança e não pode ser dado para crianças cujo peso seja inferior a 15kg, pelo risco de intoxicação.

Não se esqueça de avisar a escola para que as famílias das outras crianças também procurem por piolhos nas cabecinhas, pois já passamos da época em que se acreditava que o piolho aparecia do nada. Enquanto UMA criança tiver UM piolho na cabeça, as outras irão se reinfestar.

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Suco para bebês? Não, não, não!

Não é de hoje que várias publicações têm contra-indicado o uso de suco de frutas na alimentação de bebês menores de 1 ano (sim, mesmo os naturais). Até agora, justificávamos através do aumento da prevalência de obesidade em adolescentes e adultos e falávamos do tal índice glicêmico, mas mesmo assim, a tradição e a cultura local algumas vezes falava mais alto e o suquinho voltava a aparecer dentro dos copos dos bebês em introdução alimentar.

Até que, este mês, a Academia Americana de Pediatria publicou um artigo de recomendações em uma das revistas científicas mais importantes para os pediatras. Por ser uma recomendação de conduta, também apresenta vários motivos para não oferecer suco de frutas aos bebês (infants, no original) e suas justificativas:

  • O suco de frutas em excesso pode levar a diarréia e síndromes de mal-absorção.
  • O suco de algumas frutas possui flavonóides, o que pode interferir no metabolismo de alguns medicamentos.
  • Não há justificativa nutricional para se oferecer sucos de frutas antes de alimentos sólidos. Inclusive, a ingestão de sucos pode comprometer a ingestão de leite materno ou da fórmula, por substituição, reduzindo o aporte de proteínas, gorduras, vitaminas, ferro, cálcio e zinco.
  • Aumenta a frequência de cáries, principalmente se houver muita oferta, através de copos de transição com tampa em local de fácil acesso.

Por isso, sempre se deve priorizar o consumo de frutas FRESCAS, INTEIRAS, para que haja consumo das fibras e, para matar a sede, sempre a nossa amiga ÁGUA. Não há necessidade nenhuma do uso de suco de frutas na alimentação rotineira das crianças.